A Canção da Oração

1. ORAÇÃO

Introdução
A oração é a maior dádiva com a qual Deus abençoou Seu Filho na sua criação. Já era então o que deve vir a ser: a única voz que o Criador e a criação compartilham; a canção que o Filho canta ao Pai, Que retorna os agradecimentos que ela Lhe oferece ao Filho. A harmonia é sem fim assim como também é sem fim o alegre acordo do amor que eles dão um ao outro para sempre. E nisso a criação é estendida. Deus agradece a Sua extensão em Seu Filho. O Seu Filho dá graças por sua criação na canção que ele cria em Nome de seu Pai. O amor que eles compartilham é o que todas as orações virão a ser através de toda a eternidade, quando o tempo tiver terminado. Pois tal ela era antes que o tempo parecesse existir.

Para ti que estás no tempo por pouco tempo, a oração toma a forma que mais se adapta as tuas necessidades. Tu só tens uma. O que Deus criou uno tem que reconhecer a própria unicidade e regozijar-se, pois o que as ilusões pareciam separar é uno para sempre na Mente de Deus. A oração agora tem que ser o meio pelo qual o Filho de Deus deixa para trás as metas e os interesses separados e se volta em santo contentamento para a verdade da união em seu Pai e nele mesmo.
Deita teus sonhos por terra, tu Filho santo de Deus, e erguendo-te como Deus te criou, dispensa os ídolos e lembra-te d'Ele. A oração irá sustentar-te agora e abençoar-te enquanto ergues o teu coração para Ele nessa canção ascendente que alcança o que é mais alto, e depois mais alto ainda, até que ambos o alto e o baixo tenham desaparecido. A fé na tua meta cintilante para os gramados do Céu e o porão da paz. Pois isso é oração e aqui está a salvação. Esse é o caminho. É a dádiva de Deus para ti.

I. A Oração Verdadeira
A oração é o caminho que nos é oferecido pelo Espírito Santo para chegarmos a Deus. Não é meramente uma pergunta ou uma súplica. Não pode ter sucesso até que compreendas que ela nada pede. De que outra forma poderia servir ao seu propósito? É impossível orar por ídolos e esperar chegar a Deus. A verdadeira oração tem que evitar a armadilha de pedir para suplicar favores. Pede, em vez disso, para receber o que já foi dado, para aceitar o que já está presente.

Foi dito a ti que peças ao Espírito Santo a resposta para qualquer problema específico, e receberás uma resposta específica se tal for a tua necessidade. Também te foi dito que existe apenas um problema e uma resposta. Na oração, isso não é contraditório. Há decisões a serem tomadas aqui, e elas têm que ser tomadas caso sejam ilusões ou não. Não pode ser pedido a ti que aceites respostas que estão além do nível da necessidade que podes reconhecer. Portanto, não é a forma da pergunta que importa, nem como é feita. A forma da resposta, se dada por Deus, se adequará a tua necessidade tal como a vês. Isso é apenas um eco da resposta da Sua Voz. O som real é sempre uma canção de agradecimento e de amor.

Não podes, portanto, pedir o eco. É a canção que é a dádiva. Junto com ela vêm os tons maiores, as harmonias, os ecos, mas esses são secundários. Na oração verdadeira, tu ouves apenas a canção. Todo o resto é meramente acrescentado. Buscaste em primeiro lugar o Reino do Céu e tudo o mais, de fato, te foi dado.

O segredo da oração verdadeira é esquecer das coisas que pensas que precisas. Pedir o que é específico é quase a mesma coisa que olhar para o pecado, e depois perdoá-lo. Da mesma forma, na oração passas por cima das tuas necessidades específicas tal como as vês e entrega-as nas Mãos de Deus. Lá elas passam a ser as tuas dádivas a Ele, pois Lhe dizem que não queres outros deuses diante Dele, nenhum Amor a não ser o d'Ele. O que poderia ser a Sua resposta exceto que te lembres d'Ele? Isso pode ser negociado a favor de um conselho sem importância sobre um problema que tem a duração de um instante? Deus só responde a favor da eternidade. Mas, ainda assim todas as pequenas respostas estão contidas nisso.

Orar é dar um passo ao lado, soltar as coisas e passar um tempo em quietude no qual se ouve e se ama. Não deve ser confundida com qualquer tipo de súplica porque é um meio de lembrar-te da tua santidade. Por que deveria a santidade suplicar se tem o direito pleno a tudo o que o amor tem a oferecer? E é para o Amor que vais na oração. A oração é uma oferta, um abandono de ti mesmo para seres um com o Amor. Não há nada a ser pedido, pois não há nada mais que se possa querer. Esse nada vem a ser o altar de Deus. Ele desaparece n'Ele.

Esse não é um nível de oração que todos já possam alcançar. Aqueles que não o alcançaram ainda precisam da tua ajuda na oração porque o que pedem ainda não está baseado na aceitação.
Ajuda na oração não significa que um outro passe a ser o mediador entre Deus e tu. Mas, de fato, significa que um outro está ao teu lado e te ajuda a erguer-te até Ele. Aquele que compreendeu a bondade de Deus ora sem medo. E aquele que ora sem medo não pode deixar de chegar até Ele. Ele pode, portanto, chegar também até Seu Filho, onde quer que ele esteja e seja qual for a forma que ele pareça tomar.

Orar para Cristo em qualquer um é oração verdadeira porque é a dádiva de gratidão para o Seu Pai. Pedir que Cristo seja apenas o que Ele é não é uma súplica. É uma canção de ação de graças pelo que tu és. Aqui está o poder da oração. Não pede nada e recebe tudo. Essa oração pode ser compartilhada porque ela recebe por todas as pessoas. Orar com alguém que sabe que isso é verdade é ser respondido. Talvez a forma específica de resolução para um problema específico ocorra para qualquer um dos dois, não importa qual. Talvez chegue para os dois se vós estiverdes genuinamente afinados um com o outro. Virá porque terão compreendido que Cristo está em ambos os dois. Essa é a única verdade nisso.

II. A Escada da Oração
A oração não tem começo nem tem fim. É uma parte da vida. Mas ela, de fato, muda em sua forma e cresce com o aprendizado até atingir o seu estado além da forma e se fundir na total comunicação com Deus. Na sua forma suplicante ela não precisa fazer e muitas vezes não faz qualquer apelo a Deus, nem envolve qualquer crença n'Ele. Nesses níveis a oração é meramente um querer nascido do senso de escassez e falta.

Essas formas de oração, ou pedidos nascidos da necessidade, sempre envolvem sentimentos de fraqueza e inadequação e nunca poderiam ser feitos por um Filho de Deus que sabe Quem ele é. Portanto, ninguém que esteja certo da sua Identidade poderia orar dessa forma. Contudo, também é verdade que pessoa alguma que esteja incerta da sua Identidade pode evitar orar dessa maneira. E a oração é tão contínua quanto a vida. Todas as pessoas oram sem cessar. Pede e terás recebido, pois terás estabelecido o que é que tu queres.

Também é possível atingir uma forma mais elevada de pedir-por-necessidade, pois nesse mundo a oração é reparadora e conseqüentemente níveis de aprendizado não podem deixar de existir. Aqui o pedido pode ser endereçado a Deus e podemos acreditar nisso com honestidade, apesar de ainda não termos a compreensão. Um senso vago e usualmente instável de identificação foi atingido, mas tende a ser obscurecido por um senso de pecado profundamente enraizado. Nesse nível é possível continuarmos a pedir as coisas desse mundo sob várias formas, e também é possível pedir dádivas tais como a honestidade ou a bondade e particularmente o perdão para muitas fontes de culpa que inevitavelmente são a base subjacente de qualquer oração feita por necessidade. Sem culpa não há escassez. Aqueles que não têm pecado não têm necessidades.

Nesse nível encontra-se também aquela curiosa contradição em termos conhecida como “orar pelos seus inimigos.” A contradição não está nas palavras em si mesmas, está na forma de como usualmente são interpretadas. Enquanto acreditares que tens inimigos, terás limitado a oração às leis desse mundo e terás também limitado a tua capacidade de receber e de aceitar as mesmas mensagens estreitas. E, no entanto, se tens inimigos tens necessidade de oração, de fato, grande necessidade. O que essa frase realmente significa? Ora por ti mesmo para que possas não mais buscar aprisionar o Cristo e através disso perder o reconhecimento da tua própria Identidade. Não sejas um traidor para ninguém ou terás sido traiçoeiro para contigo mesmo.

Um inimigo é o símbolo de um Cristo aprisionado. E quem poderia ser Ele senão o teu próprio ser? Assim sendo, orar pelos teus inimigos vem a ser uma oração pela tua própria liberdade. Agora já não é uma contradição em termos. Isso veio a ser uma afirmação da unicidade de Cristo e um reconhecimento da Sua impecabilidade. E agora a oração passou a ser santa, pois reconhece o Filho de Deus assim como ele foi criado.

Não te deixes jamais esquecer que a oração em qualquer nível é sempre por ti mesmo. Se te unes a qualquer um em oração, fazes com que ele seja parte de ti. O inimigo és tu, assim como o Cristo. Portanto, antes que possa vir a ser santa, a oração passa a ser uma escolha. Tu não escolhes por nenhum outro. Podes apenas escolher por ti mesmo. Ora verdadeiramente pelos teus inimigos, pois nisso está a tua salvação. Perdoa-os pelos teus pecados e, de fato, serás perdoado.

A oração é uma escada que chega até o Céu. No topo há uma transformação que se parece muito com a tua, pois a oração é parte de ti. As coisas da terra são deixadas para trás e não são mais lembradas. Não se pede nada, pois nada está faltando. A Identidade em Cristo é plenamente reconhecida, está definida para sempre, além de qualquer mudança e incorruptível. A luz não mais vacila e nunca se apagará. Agora, sem qualquer tipo de necessidade e moldada para sempre na pura impecabilidade que é a dádiva de Deus para ti, Seu Filho, a oração pode mais uma vez vir a ser aquilo que deve ser. Pois agora ela se ergue como uma canção de agradecimento ao teu Criador, que é cantada sem palavras, ou pensamentos, ou desejos vãos, agora absolutamente sem quaisquer necessidades. Assim ela se estende, como deve fazer. E por essa dádiva o próprio Deus dá graças.

Deus é a meta de todas as orações, dando-lhes intemporalidade ao invés de um fim. Elas também não têm início porque a meta nunca foi mudada. A oração em suas formas iniciantes é uma ilusão porque não há necessidade de uma escada para chegar àquilo que nunca se deixou. Contudo, a oração é uma parte do perdão enquanto o perdão, ele mesmo uma ilusão, continua sem ser atingido. A oração está ligada ao aprendizado até que a meta do aprendizado tenha sido alcançada. Então, todas as coisas terão sido transformadas juntas e devolvidas sem manchas à Mente de Deus. Estando além do aprendizado, esse estado não pode ser descrito. No entanto, os estágios necessários para que isso seja atingido precisam ser compreendidos, se é que a paz vai ser restaurada para o Filho de Deus, que agora vive com a ilusão da morte e o medo de Deus.

III. Orar pelos Outros
Nós dissemos que a oração é sempre por ti mesmo, e isso é assim. Porque, então, deverias orar pelos outros seja qual for a razão? E se devesses, como deverias fazê-lo? Orar pelos outros, se corretamente compreendido, vem a ser um meio de retirar as tuas projeções de culpa de cima do teu irmão capacitando-te a reconhecer que não é ele que está te ferindo. O pensamento venenoso que te diz que ele é o teu inimigo, a tua contraparte má, o teu castigo merecido tem que ser abandonado antes que tu possas ser salvo da culpa. Para isso o meio é a oração, com poder crescente e metas ascendentes, até que ela chegue até mesmo a Deus.

As formas iniciais da oração nos primeiros degraus da escada não estarão livres de inveja e da malícia. Elas clamam por vingança, e não por amor. Também não vêm de alguém que compreende que são apelos para a morte causados pelo medo, feitos por aqueles que valorizam a culpa. Elas clamam por um deus vingador, e é ele que parece responder-lhes. Não é possível que aquele que pede o inferno para um outro possa ele mesmo escapar do próprio pedido. Só aqueles que estão no inferno podem pedir o inferno para o outro. Aqueles que foram perdoados, e que aceitaram o próprio perdão nunca poderiam fazer uma oração como essa.

Nesses níveis, então, a meta do aprendizado tem que ser o reconhecimento de que a oração trará uma resposta apenas na forma na qual ela foi feita. Isso é o suficiente. Daqui para frente será subir os degraus para os próximos níveis. A subida que se segue começa com isso:
O que pedi para o meu irmão, não é o que eu quero para mim. Assim fiz dele meu inimigo.
É claro que esse degrau não pode ser atingido por qualquer pessoa que não veja nenhum valor ou vantagem para si mesmo em liberar os outros. Isso pode ser adiado por muito tempo porque pode parecer ser perigoso em vez de misericordioso. Para os culpados, de fato, parece haver uma vantagem real em ter inimigos, e o que se imagina que se ganha com isso tem que ser abandonado, se é que os inimigos vão ser libertados.

É preciso desistir da culpa e não escondê-la. Isso também não pode ser feito sem alguma dor, e um vislumbre da natureza misericordiosa desse passo pode, por algum tempo, ser seguido por uma fuga profunda para o medo. Pois as defesas do medo são aterradoras em si mesmas e, quando são reconhecidas, trazem o medo com elas. E que vantagem uma ilusão de escapar jamais trouxe a um prisioneiro? Ele só pode escapar realmente da culpa reconhecendo que culpa se foi. E como é possível que ele reconheça isso enquanto estiver escondendo-a em uma outra pessoa, sem ser capaz de ver que ela lhe é própria? O medo de escapar faz com que seja difícil de dar boas-vindas à liberdade, e a segurança parece estar em fazer de um inimigo um carcereiro. Como ele pode ser liberado sem que sintas um medo insano por ti mesmo? Tu fizeste dele a tua salvação e o teu escapar da culpa. O teu investimento nessa escapada é pesado e o teu medo de desistir disso é grande.

Fica quieto um instante, agora, e pensa no que fizeste. Não esqueças que foste tu que fizeste tudo isso, portanto, tu és aquele que pode deixar que tudo desapareça. Estende a tua mão. Esse inimigo veio para abençoar-te. Aceita a sua bênção, e sente como o teu coração é erguido, e o teu medo liberado. Não te apegues ao medo, nem a ele. Ele é um Filho de Deus, junto contigo. Ele não é um carcereiro, mas um mensageiro de Cristo. Sê isto mesmo para com ele de modo que possas vê-lo assim.

Não é fácil reconhecer que orações por coisas, por status, por amor humano, por ‘dádivas’ externas de qualquer tipo são sempre feitas para instituir carcereiros e esconder-te da culpa. Essas coisas são utilizadas como substitutos para Deus e, portanto, distorcem o propósito da oração. O desejo por essas coisas é a oração. Não é preciso pedir explicitamente. A meta de Deus se perde na busca de metas menores de qualquer tipo, e a oração vem a ser um meio de requisitar inimigos. O poder da oração pode ser reconhecido bem claramente mesmo nisso. Ninguém que queira um inimigo deixará de encontrá-lo. Mas, com essa mesma certeza, ele perderá a única meta verdadeira que lhe é dada. Pensa no custo, e compreende-o bem. Todas as outras metas são obtidas às custas de Deus.

IV. Orar com os Outros
Até que o segundo nível, pelo menos, se tenha iniciado, não é possível que a oração seja compartilhada. Até esse ponto cada um não pode deixar de pedir coisas diferentes. Contudo, uma vez que a necessidade de manter o outro como inimigo tenha sido questionada, e a razão para fazê-lo tenha sido reconhecida, mesmo que seja por apenas um instante, unir-se em oração passa a ser possível. Inimigos não compartilham a mesma meta. É nisso que a sua inimizade é mantida. Os seus desejos separados são os seus arsenais, suas fortalezas no ódio. A chave para que se avance mais ainda na oração está nesse simples pensamento, nessa mudança da mente:
Nós vamos juntos, eu e tu.

Agora é possível ajudar em oração, assim sendo, procura tu mesmo chegar até lá. Nesse grau começa a subida mais rápida, mas ainda existem muitas lições para serem aprendidas. O caminho está aberto e a esperança se justifica. No entanto, é provável que no início aquilo que é pedido, mesmo por aqueles que se unem em oração, não seja a meta que a oração deveria buscar verdadeiramente. Mesmo juntos, vós podeis pedir coisas e assim construir apenas a ilusão de uma meta que compartilhais. Podeis pedir juntos algo específico e não dar-vos conta de que estais pedindo efeitos sem uma causa. E isso não podeis ter. Ninguém pode receber apenas os efeitos, pedindo a uma causa da qual eles não podem vir, que os ofereça a si mesmo.

Mesmo a união, portanto, não é suficiente se aqueles que oram juntos não pedirem, acima de tudo, aquilo que é a Vontade de Deus. Só dessa Causa é possível vir a resposta na qual todas as necessidades específicas são satisfeitas, todos os desejos separados unificados em um só. Orar por coisas específicas sempre implica em pedir que o passado se repita de alguma forma. O que foi agradável antes e pareceu ser; o que era de um outro e ele parecia amar, - tudo isso são apenas ilusões do passado. A finalidade da oração é liberar o presente das suas cadeias de ilusões passadas; deixar que ele seja um remédio livremente escolhido para cada escolha que simbolizou um equívoco. O que a oração pode te oferecer agora excede tanto tudo o que pediste antes, que é uma pena que te contentes com menos.

Escolheste uma chance que acaba de nascer a cada vez que oras. Acaso quererias sufocá-la e aprisioná-la em antigas prisões, se tens a chance de liberar a ti mesmo de todas elas imediatamente? Não restrinjas o teu pedido. A oração pode trazer a paz de Deus. Que coisa presa no tempo pode dar-te mais do que isso no pequeno espaço que dura antes de sucumbir no pó?

V. A Escada Termina
A oração é um caminho para a verdadeira humildade. E aqui outra vez ela sobe lentamente e cresce em força e amor e santidade. Permita que ela apenas deixe o chão onde começa e se erga para Deus, e a verdadeira humildade virá finalmente banhar de graças a mente que pensava estar sozinha e se bater contra o mundo. A humildade traz paz porque não clama que tu tens que governar sozinho o universo, nem julgar todas as coisas como queres que sejam. Todos os pequenos deuses ela deixa de lado com contentamento, não ressentida, mas com honestidade e reconhecimento de que eles não servem. As ilusões e a humildade têm metas tão afastadas que não podem coexistir, nem compartilhar uma morada na qual possam se encontrar. Se uma vem, a outra desaparece. Os verdadeiramente humildes não têm nenhuma meta a não ser Deus porque não têm necessidade de ídolos, e as defesas já não servem mais a qualquer propósito. Os inimigos agora são inúteis porque a humildade não se opõe a nada. Ela não se esconde com vergonha porque está contente com o que é, tendo o conhecimento de que a criação é a Vontade de Deus. Como já não são o próprio ser passam a Ser, e isso vêem em todos os encontros nos quais se unem em contentamento com cada Filho de Deus, reconhecendo que compartilham a sua pureza.

Agora a oração se ergue do mundo das coisas, dos corpos e de todos os tipos de deuses, e tu podes finalmente descansar em santidade. A humildade veio para te ajudar a compreender a tua glória como Filho de Deus e reconhecer a arrogância do pecado. Um sonho encobriu a face de Cristo para ti. Agora podes olhar para a Sua impecabilidade. A escada subiu muito alto. Tu vieste quase até o Céu. Há pouco mais a ser aprendido antes da jornada se completar. Agora podes dizer a todos aqueles que vêm para se unir a ti em oração:

Eu não posso ir sem ti, pois és uma parte de mim.
E assim ele é na verdade. Agora podes orar só por aquilo que verdadeiramente compartilhas com ele. Pois compreendeste que ele nunca partiu e tu, que parecias sozinho, és um com ele.
A escada termina com isso, pois o aprendizado já não é mais necessário. Agora estás diante do portão do Céu, e lá teu irmão está ao teu lado. O gramado é profundo e quieto, pois é aqui o lugar marcado para o momento em que deverias vir, e ele esperou por ti durante muito tempo. Aqui o tempo acabará para sempre. Neste portão a própria eternidade se unirá a ti. A oração veio a ser o que deveria ser, pois reconheceste o Cristo em ti.

2. PERDÃO

Introdução
O perdão oferece asas à oração para fazer com que a sua ascensão seja fácil e o seu progresso rápido. Sem o seu forte apoio seria vão tentar erguer-se acima do primeiro degrau da oração ou sequer tentar subir de qualquer forma que fosse. O perdão é o aliado da oração; irmão no plano para a tua salvação. Ambos têm que vir para erguer-te e manter os teus pés seguros e o teu propósito inabalável e imutável. Contempla a maior ajuda que Deus ordenou que ficasse contigo até O alcançares. O fim das ilusões virá com isso. Sem a natureza intemporal da sua irmã oração, o perdão tem um fim. Ele passa a ser desnecessário quando a subida foi realizada. No entanto, agora ele tem um propósito além do qual não podes ir, nem tens qualquer necessidade de ir. Realiza isso, e terás sido redimido. Realiza isso, e terás sido transformado. Realiza isso, e terás salvo o mundo.

I. Perdoar a Ti Mesmo
Nenhuma dádiva do Céu foi mais mal interpretada do que o perdão. Ele, de fato, virou um flagelo, uma praga onde deveria abençoar, uma zombaria cruel da graça, uma parodia da paz santa de Deus. No entanto, aqueles que ainda não escolheram começar a subir os degraus da oração não podem deixar de usá-lo assim. A benignidade do perdão é obscurecida a princípio porque a salvação não é compreendida nem verdadeiramente buscada. O que deveria curar é usado para ferir porque o perdão não é querido. A culpa passa a ser salvação e o remédio para ela parece ser uma alternativa terrível para a vida.

O perdão-para-destruir será, portanto, muito mais adequado ao propósito do mundo do que o seu verdadeiro objetivo, e os meios honestos através dos quais essa meta é atingida. O perdão-para-destruir não deixará de ver pecado algum, crime algum, culpa alguma que ele possa buscar, achar e ‘amar’. O erro é caro para o seu coração e os equívocos aparecem com grandiosidade, crescem, e incham a sua vista. Ele colhe cuidadosamente todas as coisas ruins e ignora as amorosas como se fossem uma praga, uma coisa odiosa feita de perigo e morte. O perdão-para-destruir é morte e isso ele vê em tudo o que olha e odeia. A misericórdia de Deus veio a ser uma faca torta que quer destruir o Filho santo que Ele ama.

Perdoaria a ti mesmo por fazer isso? Aprende, então, que Deus te deu o meio pelo qual podes retornar a Ele em paz. Não vejas erros. Não o tornes reais. Seleciona o que é amoroso e perdoa o pecado escolhendo em seu lugar a face de Cristo. De que outra forma pode a oração retornar a Deus? Ele ama o Seu Filho. Podes lembrar-te Dele e odiar o que Ele criou? Odiarás o seu Pai se odeias o Filho que Ele ama. Pois assim como vês o Filho vês a ti mesmo, e assim como vês a ti mesmo assim é Deus para ti.

Uma oração é sempre por ti mesmo, assim como o perdão é sempre dado a ti. É impossível perdoar a um outro, pois são apenas os teus pecados que vês nele. Queres vê-los lá e não em ti mesmo. É por iss que o perdão de um outro é uma ilusão. No entanto, é o único sonho feliz em todo o mundo, o único que não conduz à morte. Só em outro podes perdoar a ti mesmo, pois tornaste-o culpado pelos teus pecados e nele tens que encontrar a tua inocência agora. Quem a não ser os pecadores precisam ser perdoados? E nunca penses que podes ver pecado em qualquer um exceto em ti mesmo.

Esse é o grande engano do mundo, e tu és o grande enganador de ti mesmo. Sempre parece que o outro é quem é mau e tu és aquele que é machucado pelo seus pecados. Como seria possível a liberdade se isso fosse assim? Tu serias o escravo de todos, pois o que ele faz acarreta o teu destino, os teus sentimentos, o teu desespero ou esperança, a tua miséria ou alegria. Tu não tens nenhuma liberdade a menos que ele a dê a ti. E sendo mau, ele pode apenas dar o que é. Não podes ver os seus pecados sem ver os teus. Mas podes libertá-lo e a ti mesmo também.

O perdão verdadeiramente dado é o caminho no qual se encontra a tua única esperança de liberdade. Os outros cometerão erros e tu também enquanto essa ilusão de um mundo parecer ser a tua casa. No entanto, o próprio Deus deu a todos os Seus Filhos um remédio para todas as ilusões que eles pensam ver. A visão de Cristo não usa os teus olhos, mas podes olhar através dos Seus, e aprender a ver como Ele. Equívocos são sombras diminutas que passam rapidamente, e por um instante apenas pareciam esconder a face de Cristo que ainda permanece imutável atrás de todos eles. A Sua constância permanece em silêncio tranqüilo e em perfeita paz. Ele não sabe das sombras. São Seus olhos que olham através do erro para o Cristo em ti.

Pede, então, a Sua ajuda e pergunta a Ele como aprender a perdoar assim como a Sua visão permite que seja o perdão. Tu tens necessidade do que Ele dá, e a tua salvação se baseia em aprender isso com Ele. A oração não pode ser liberada para o Céu enquanto o perdão-para-destruir estiver contigo. A misericórdia de Deus quer remover esse pensamento desmoralizante e envenenado da tua mente santa. Cristo te perdoou e na Sua visão o mundo veio a ser tão santo quanto Ele mesmo. Quem não vê nenhum mal no mundo vê como Ele. Pois o que Ele perdoou não cometeu nenhum pecado e a culpa não pode mais existir. O plano da salvação se completa e a sanidade veio afinal.

O perdão é o chamado para a sanidade, pois quem senão os insanos preferem olhar para o pecado quando poderiam ver a face de Cristo em lugar disso? Essa é a escolha que fazes, a mais simples, e apesar disso a única que podes fazer. Deus te chama para salvar o Seu Filho da morte oferecendo-lhe o amor de Cristo. Essa é a tua necessidade e Deus oferece essa dádiva a ti. Assim como Ele quer dar, assim também tu tens que dar. E assim a oração retorna ao que é, sem forma, e vai além de todos os limites à intemporalidade, sem nada do passado para atrasá-la impedindo-a de reunificar-se com a canção infindável que toda a criação canta para o seu Deus.

Mas, para atingir esse objetivo precisas primeiro aprender, antes de poderes alcançar o lugar onde o aprendizado não pode ir. O perdão é a chave, mas quem pode usar uma chave quando perdeu a porta para a qual a chave foi feita, e o único lugar onde ela pode servir? Portanto, fazemos distinções, de modo que a oração possa ser libertada da escuridão para a luz. O papel do perdão tem que ser revertido e limpo das utilizações más e das metas odiosas. O perdão-para-destruir tem que ser desvendado em toda a sua traição, e então abandonado para sempre. Não pode restar qualquer traço dele, se é que o plano que Deus estabeleceu para o retorno vai ser realizado finalmente e o aprendizado completado.

Esse é o mundo dos opostos. E tu tens que escolher entre eles a todos os instantes enquanto esse mundo retiver realidade para ti. No entanto, tens que aprender alternativas para a escolha, ou não serás capaz de atingir a tua liberdade. Deixa que fique claro para ti exatamente o que o perdão significa para ti, e aprende o que ele deve ser para libertar-te. O nível da tua oração depende disso, pois aqui ela espera a liberdade para ser erguer acima do mundo do caos e entrar na paz.

II. Perdoar-para-Destruir
O perdão-para-destruir tem muitas formas, sendo uma arma do mundo da forma. Nem todas são óbvias e algumas são cuidadosamente escondidas embaixo do que parece ser caridade. No entanto, todas as formas que ele pode parecer tomar têm apenas essa meta simples: seu propósito é separar e tornar aquilo que Deus criou igual, diferente. A diferença está clara em muitas formas nas quais a comparação que deve ser feita não pode passar despercebida, nem realmente se pretende que passe.

Nesse grupo, em primeiro lugar, estão as formas nas quais uma pessoa ‘melhor’ se digna a rebaixar-se para salvar uma ‘mais baixa’ daquilo que ela verdadeiramente é. O perdão aqui se baseia numa atitude de graciosa aristocracia tão distante do amor que a arrogância nunca poderia ser desalojada. Quem pode perdoar e com tudo desprezar? E quem pode dizer a um outro que ele está mergulhado no pecado e ainda assim percebê-lo como o Filho de Deus? Quem faz de alguém um escravo para ensinar-lhe o que é a liberdade? Não há união aqui, apenas tristeza. Não há realmente misericórdia. Isso é morte.

Uma outra forma, ainda muito apreciada como a primeira se for compreendida, não aparece em tão ruidosa arrogância. Aquele que quer perdoar o outro não clama por ser o melhor. Agora ele diz, em vez disso, que aqui há alguém cujo pecado ele compartilha, já que ambos foram indignos e merecem a punição da ira de Deus. Isso pode parecer um pensamento humilde e pode, de fato, induzir a uma rivalidade no pecado e na culpa. Não é amor pela criação de Deus e a santidade que é a Sua dádiva para sempre. É possível que o Seu Filho condene a si mesmo e ainda se lembre Dele?

Aqui a meta é separar de Deus o Filho que Ele ama e mantê-lo longe da sua Fonte. Essa meta também é buscada por aqueles que buscam o martírio nas mãos de um outro. Aqui é preciso que a finalidade seja vista claramente, pois isso pode passar por mansidão e caridade em vez de crueldade. Não é benigno aceitar o desprezo do outro e não responder a não ser com silêncio e um sorriso gentil? Olha para isso, como és bom, tu que carregas com paciência e um ar de santo a raiva e a ferida que um outro te faz, e não mostra a dor amarga que sentes.

O perdão-para-destruir se esconde freqüentemente atrás de um manto como esse. Ele mostra a face do sofrimento e da dor, como prova silenciosa da culpa e da devastação do pecado. Tal é a testemunha que ele oferece àquele que poderia ser um salvador, não um inimigo. Mas tendo sido feito inimigo, ele tem que aceitar a culpa e a reprovação profundamente inculcada que assim é posta sobre ele. Isso é amor? Ou é mais uma traição para com alguém que precisa ser salvo da dor da culpa? O que poderia ser o propósito disso, exceto manter as testemunhas da culpa longe do amor. O perdão-para-destruir também pode tomar a forma de barganha e concessão. Eu te perdoarei se satisfizeres as minhas necessidades, pois na tua escravidão está a minha liberação. Dizes isso a qualquer um e serás escravo. E buscarás livrar-te da culpa em mais barganhas que não podem dar nenhuma esperança, mas apenas maior dor e miséria. Como o perdão agora veio a ser amedrontador, e como está distorcido o fim que ele busca. Tem piedade de ti mesmo que barganhas desta forma. Deus dá e não pede recompensa. Não há nenhuma dádiva a não ser como Ele. Todo o resto é zombaria. Pois quem poderia fazer uma barganha com o Filho de Deus, e agradecer ao seu Pai pela sua santidade?

O que queres mostrar ao teu irmão? Tentarias reforçar a sua culpa e assim a tua própria? O perdão é o meio para escapares. Como é digno de pena fazer dele o meio para maior escravidão e dor. Dentro do mundo dos opostos há um modo de usares o perdão para a meta de Deus e encontrares a paz que Ele te oferece. Não queiras te apoderar de nada além disso, ou terás buscado a tua morte e orado pela separação do teu Ser. Cristo é para todos porque Ele está em todos. É a Sua face que o perdão permite que vejas. É a Sua face na qual vês a tua própria.

Todas as formas que o perdão toma que não levem para longe da raiva, da condenação e de qualquer tipo de comparação são morte. Pois isso é o que os seus propósitos determinaram. Não te enganes com eles, mas deixa-os de lado julgando as suas trágicas ofertas como algo sem valor. Tu não queres permanecer na escravidão. Tu não queres ter medo de Deus. Queres ver a luz do sol e o brilho do Céu cintilando sobre a face da terra redimida do pecado no Amor de Deus. A partir daqui a oração é liberada junto contigo. As tuas asas estão livres e a oração erguer-te-á e trazer-te-á para casa onde Deus quer que estejas.

III. Perdoar-para-Salvar
O perdão-para-salvar tem uma forma e só uma. Ele não pede provas de inocência, nem pagamento de qualquer tipo. Ele não argumenta, nem avalia os erros que quer ignorar. Ele não oferece dádivas traiçoeiras, nem promete liberdade enquanto pede morte. Acaso Deus te enganaria? Ele apenas pede confiança e disposição para aprenderes como ser livre. Ele dá o Seu Professor para quem pedir e buscar compreender a Vontade de Deus. A Sua prontidão para dar está muito além da tua compreensão ou da tua simples apreensão. Contudo é Sua Vontade que aprendas o caminho para Ele e na realização da Sua Vontade há certeza.

Tu, criança de Deus, as dádivas de Deus são tuas, não segundo teus planos, mas pela Sua Vontade santa. A Sua Voz vai ensinar-te o que é o perdão e como perdoar assim como Ele quer que seja. Não busques, portanto, compreender o que ainda está além de ti, mas deixa que ele seja o caminho para erguer-te até o lugar onde os olhos de Cristo passam a ser a vista que escolhes. Desiste de todo o resto, pois não há nada mais. Quando alguém pede qualquer ajuda que seja, Ele é aquele que responde por ti. Tudo o que precisas fazer é dar um passo para trás e não interferir. Perdoar-para-salvar é a Sua tarefa e é Ele que responderá por ti.

Não estabeleças qual é a forma que o perdão de Cristo deve tomar. Ele sabe como fazer de qualquer pedido um auxílio para ti, enquanto te ergues apressadamente para ir afinal para a casa do teu Pai. Agora Ele pode fazer com que os teus passos tenham segurança e que as tuas palavras sejam sinceras, não com a tua própria sinceridade, mas com a Sua. Deixa que Ele esteja a cargo de como deverás perdoar e cada ocasião será, então, para ti um outro degrau para o Céu e para a paz.

Não estás cansado da prisão? Deus não escolheu esta triste estrada para ti. O que escolheste ainda pode ser desfeito, pois a oração é misericordiosa e Deus é justo. A Sua é uma justiça que Ele pode compreender, mas tu por enquanto ainda não podes. Mesmo assim Ele te dará os meios para aprenderes com Ele, e teres afinal o conhecimento de que a condenação não é real e constrói ilusões em nome do mal. Contudo, ainda assim não importa a forma que os sonhos possam parecer tomar. As ilusões não são verdadeiras. A Vontade de Deus é verdade, e tu és um com Ele em Vontade e propósito. Aqui todos os sonhos são desfeitos.

“O que eu devo fazer por ele, o Teu Filho santo?” deve ser a única coisa que tu sempre perguntes quando a ajuda se faz necessária e se está em busca do perdão. A forma que a busca toma, tu não precisas julgar. E não deixes que sejas tu aquele que determina a forma na qual o perdão vem para salvar o Filho de Deus. A luz de Cristo nele é a sua liberação, e é isso que responde ao seu chamado. Perdoa-lhe assim como Cristo decide que deves, e que sejam Seus os olhos através dos quais olhas para ele e também falas por Ele. Ele conhece a necessidade, a pergunta e a resposta. Ele te dirá exatamente o que fazer em palavras que podes compreender e podes também usar. Não confundas a Sua função com a tua. Ele é a Resposta. Tu, aquele que ouve.

E de que é que Ele te fala? De salvação e da dádiva da paz. Do fim do pecado, da culpa e da morte. Do papel que o perdão desempenha Nele. Tu apenas escutas. Pois Ele será ouvido por qualquer um que chame pelo Seu Nome e coloque o próprio perdão em Suas mãos. O perdão Lhe foi dado para que Ele o ensine, para que o salve da destruição, e para fazer com que o meio da separação, do pecado e da morte venha a ser outra vez a dádiva santa de Deus. A oração é a Sua Mão direita, que é liberada para salvar à medida que se permite que o verdadeiro perdão venha da Sua vigilância eterna e do Seu amor. Escuta e aprende, mas não julgues. É para Deus que te voltas para ouvir o que deves fazer. A Sua resposta será tão clara quanto a manhã, e também o Seu perdão não é o que pensas que seja.

Ele ainda sabe, e isso deve ser suficiente. O perdão tem um Professor que não falhará em nada. Descansa um pouco nisso, não tentes julgar o perdão, nem colocá-lo numa moldura terrena. Deixa que ele se erga até Cristo, que dá boas-vindas a ele como uma dádiva que Lhe é feita. Ele não te deixará sem consolo, nem falhará em mandar os Seus anjos descerem para responder-te em Seu próprio Nome. Ele está ao lado da porta para a qual o perdão é a única chave. É preciso que a dês a Ele para que Ele a use em teu lugar, e verás a porta deslizar abrindo-se silenciosamente sobre a resplandecente face de Cristo. Contempla o teu irmão que lá está, além da porta: o Filho de Deus tal como Ele o criou.

3. CURA

Introdução

A oração tem ferramentas e testemunhas que fazem com que a subida íngreme seja mais gentil e mais segura, diminuindo a dor do medo e oferecendo o conforto e as promessas da esperança. A cura é a testemunha do perdão e uma ferramenta da oração, ela te dá garantia do sucesso na consecução final da tua meta. A sua importância não deve ser enfatizada demasiadamente, pois a cura é um sinal ou um símbolo da força do perdão, e apenas um efeito ou sombra da mudança da mente sobre a meta da oração.

I. A Causa da Doença
Não tomes equivocadamente o efeito pela causa, nem penses que a doença está à parte ou separada do que é a sua causa. É um sinal, uma sombra e um pensamento mau que parece ter realidade e ser justo, segundo os costumes do mundo. É uma prova externa dos ‘pecados’ internos e dá testemunho de pensamentos incapazes de perdoar que ferem e magoam o Filho de Deus. Curar o corpo é impossível, e isso é demonstrado pela natureza breve da ‘cura’. O corpo ainda tem que morrer, e assim a sua cura apenas atrasa a sua volta ao pó, onde ele nasceu e ao qual vai retornar.

A causa do corpo é não perdoar o Filho de Deus. Ele não deixou a sua fonte, e isso é claramente demonstrado na sua dor, no seu envelhecimento e na marca da morte que está sobre ele. Amedrontado e frágil ele parece ser para aqueles que pensam que a sua vida está presa ao seu comando e atada ao seu sopro diminuto e instável. A morte os encara à medida que cada momento passa irrevogável, além das suas garras, que não podem fazê-los parar. E sentem medo à medida que seus corpos mudam e adoecem. Sentem o cheiro pesado da morte sobre os seus corações.

O corpo pode ser curado como um efeito do verdadeiro perdão. Só isso pode dar a lembrança da imortalidade, que é a dádiva da santidade e do amor. O perdão tem que ser dado por uma mente que compreenda que ela tem que ignorar todas as sombras sobre a face santa de Cristo, entre as quais a doença deve ser vista apenas como mais uma. Nada além disso: o sinal de um julgamento feito por um irmão sobre outro irmão, um julgamento do Filho de Deus por ele mesmo. Pois ele amaldiçoou o seu corpo como sua prisão, e esqueceu que foi ele que lhe deu esse papel. O que ele fez, agora o Filho de Deus tem que desfazer. Mas não sozinho. Pois ele jogou fora a chave da prisão: a sua impecabilidade santa e a lembrança do Amor de seu Pai. No entanto, recebe ajuda na Voz que seu Pai colocou nele. O poder de curar é agora a dádiva de seu Pai, pois através da Sua Voz Ele ainda pode alcançar Seu Filho, lembrando-lhe que o corpo pode passar a ser a casa escolhida por ele, mas nunca será a sua casa na verdade.

Assim sendo distinções têm que ser feitas entre a verdadeira cura e a sua contrapartida defeituosa. O mundo dos opostos é o lugar da cura, pois o que poderia haver no Céu para se curar? Assim como a oração dentro desse mundo pode pedir coisas equivocadas, e a caridade aparente pode perdoar para matar, assim também a cura pode ser tão falsa quanto verdadeira, uma testemunha do poder do mundo ou do Amor eterno de Deus.

II. Cura Falsa versus Cura Verdadeira
A cura falsa meramente faz a pobre troca de uma ilusão por outra ‘melhor’, um sonho de doença por um sonho de saúde. Isso pode ocorrer nas formas mais baixas da oração, combinada com perdão bem intencionado, mas ainda não compreendido completamente. Só a cura falsa pode dar lugar ao medo de modo que a doença estará livre para atacar outra vez. A cura falsa, de fato, pode remover uma forma de dor e doença. Mas a causa permanece e não deixará de ter efeitos. A causa ainda é o desejo de morrer e vencer o Cristo. E com esse desejo a morte é uma certeza, pois a oração é respondida. Mas existe um tipo de morte aparente que tem uma fonte diferente. Ela não vem devido a pensamentos que magoam e a uma raiva furiosa contra o universo. Meramente significa que chegou o fim da utilidade do funcionamento do corpo. E assim ele é descartado como uma escolha, do mesmo modo como alguém joga fora uma roupa que já não usa mais.

Isso é o que a morte deveria ser: uma escolha quieta feita com alegria e com uma sensação de paz porque o corpo foi usado de forma benigna para ajudar o Filho de Deus ao longo do caminho que ele segue para Deus. Nós, então, agradecemos ao corpo por todo o serviço que ele nos prestou. Mas, estamos também agradecidos, pois terminou a necessidade de caminharmos no mundo dos limites, e de tentarmos alcançar o Cristo em formas escondidas, visível no máximo em belos vislumbres. Agora podemos olhar para Ele sem antolhos, na luz que aprendemos a contemplar outra vez.

Chamamos a isso morte, mas é liberdade. Ela não vem em forma que parecem ser impostas na dor sobre a carne que não a quer, mas como um sinal de boas-vindas que é dado com gentileza à liberação. Se houve cura verdadeira, essa pode ser a forma na qual a morte vem, quando chega o momento de descansar por algum tempo de um trabalho feito e terminado com contentamento. Agora vamos em paz para ares mais livres e um clima mais gentil, onde não é difícil ver que as dádivas que demos foram guardadas para nós. Pois o Cristo está mais claro agora, Sua visão se sustenta mais em nós e a Sua Voz, a Palavra de Deus, é nossa com mais certeza.

Essa passagem gentil para uma oração mais elevada, um perdão benigno dos caminhos da terra, só pode ser recebida com gratidão. Contudo, antes disso a cura verdadeira tem que ter vindo abençoar a mente com o perdão amoroso dos pecados que ela sonhou e depositou sobre o mundo. Agora os seus sonhos são desfeitos na quietude do descanso. Agora o seu perdão vem curar o mundo e ela está pronta para partir em paz, tendo terminado a jornada e aprendido as lições.

Isso não é morte segundo o mundo, pois a morte é cruel através dos seus olhos apavorados e toma a forma de punição pelo pecado. Como poderia ser uma benção assim? E como poderia ser recebida com boas-vindas, se não pode deixar de ser temida? Que cura pode ter ocorrido nessa visão de algo que é meramente o abrir do portão para uma oração mais elevada e uma justiça feita com benignidade? A morte é prêmio e não punição. Mas tal ponto de vista tem que ser trazido por uma cura que o mundo não pode conceber. Não há cura parcial. O que apenas troca de ilusões não fez nada. O que é falso não pode ser parcialmente verdadeiro. Se estás curado, a tua cura é completa. O perdão é a única dádiva que dás e queres receber.

A cura falsa se baseia na cura do corpo, deixando a causa da enfermidade ainda sem qualquer mudança, pronta para atacar outra vez até trazer uma morte cruel em aparente vitória. Ela pode ser mantida em xeque por algum tempo, e podem existir períodos de breve descanso enquanto ela espera para cobrar a vingança do Filho de Deus. Contudo, não pode ser vencida até que toda a fé depositada nela tenha sido retirada e colocada no substituto de Deus para os sonhos maus: um mundo no qual o véu do pecado não está presente para mantê-lo escuro e sem consolo. Finalmente o portão do Céu se abre e o Filho de Deus está livre para entrar na casa que está pronta para dar-lhe as boas-vindas, que foi preparada para ele antes que o tempo existisse e ainda espera apenas por ele.

III. Separação versus União
A cura falsa cura o corpo em parte, mas nunca como um todo. As suas metas separadas ficam bem claras nisso, pois não removeu a praga do pecado que se encontra nele. Portanto, ainda engana. E também não é realizada por alguém que compreende que o outro é exatamente igual a ele mesmo. Pois é isso que faz com que a cura verdadeira seja possível. Quando é falsa, há algum poder que outro possui que não foi igualmente concedido a ambos como um só. Aqui a separação se mostra. E aqui o significado da cura verdadeira foi perdido e ídolos surgiram para obscurecer a unidade que é Filho de Deus.

Curar para separar pode parecer ser uma idéia estranha. Contudo, pode ser aplicada a qualquer tipo de desigualdade. Essas formas podem curar o corpo e são, de fato, geralmente limitada a isso. Alguém sabe mais, foi mais treinado, ou talvez seja mais talentoso e sábio. Assim sendo, pode propiciar a cura de alguém que está abaixo de dele e merece a sua condescendência. A cura do corpo pode vir através disso porque em sonhos a igualdade não pode ser permanente. O sonho é feito de trocas e mudanças. Ser curado parece significar encontrar uma pessoa mais sábia que, por sua arte e aprendizado, terá sucesso.

Algum outro sabe mais: essa é a frase mágica através da qual o corpo parece ser o objetivo da cura tal como o mundo a concebe. E a esse mais sábio um outro vai se consultar para tirar proveito do seu aprendizado e da sua maestria, para encontrar nele o remédio para a dor. Como isso pode ser assim? A cura verdadeira não pode vir da desigualdade assumida e depois aceita como a verdade, usada para ajudar a restaurar os feridos e acalmar a mente que sofre da agonia da dúvida.

Nesse caso, existe um papel na cura que alguém possa desempenhar para oferecer ajuda a um outro? Em arrogância a resposta tem que ser 'não'. Mas em humildade, de fato, há lugar para ajudantes. O seu papel é igual ao papel que ajuda na oração, e deixa que o perdão seja o deve ser. Tu não fazes de ti mesmo o portador da dádiva especial que traz a cura. Apenas reconheces a tua unicidade com aquele que pede ajuda. Pois nessa unicidade o seu senso de estar separado é desfeito, e é isso que o faz doente. Não há sentido em dar um remédio à parte do lugar onde está a fonte da doença, pois assim ela jamais pode ser verdadeiramente curada.

Curadores existem, pois são os Filhos de Deus que reconheceram a sua Fonte e compreenderam que tudo o que a sua Fonte cria é um com eles. Esse é o remédio que traz um alívio que não pode falhar. Ele permanecerá para abençoar por toda a eternidade. Ele não cura em parte, mas integralmente e para sempre. Agora a causa de todas as enfermidades foi revelada exatamente como é. E nesse lugar agora está escrita a Palavra santa de Deus. A doença e a separação têm que ser curadas pelo amor e pela união. Nada mais pode curar assim como Deus determinou que fosse a cura. Sem Ele não há cura, pois não há amor.

Só a Voz de Deus pode te dizer como curar. Escuta, e nunca falharás em trazer o Seu remédio gentil àqueles que Ele envia a ti, para permitir que Ele os cure e para abençoar todos aqueles que servem com Ele em nome da cura. A cura do corpo ocorrerá porque a sua causa se foi. E como agora não há mais causa, ela não pode vir de novo em uma forma diferente. E a morte também não será mais temida porque foi compreendida. Não há medo naquele que foi verdadeiramente curado, pois o amor agora entrou onde ídolos costumavam estar e, finalmente, o medo deu lugar a Deus.

IV. A Santidade da Cura
Como são santos aqueles que foram curados! Pois, em sua visão, seus irmãos compartilham a sua cura e o seu amor. Portadores da paz – a voz do Espírito Santo, através da qual Ele fala por Deus, Cuja Voz Ele é – tais são os curadores de Deus. Eles só falam por Ele e nunca por si mesmos. Não têm nenhuma dádiva a não ser aquelas que vêm de Deus. E essas eles compartilham porque sabem que isso é a Sua Vontade. Eles não são especiais. Eles são santos. Escolheram a santidade e desistiram de todos os sonhos separados feitos de atributos especiais através dos quais podem conceder dádivas desiguais aos menos afortunados. A sua cura restaurou a sua santidade de modo que podem perdoar e se unir à canção da oração na qual os curados cantam a sua união e os seus agradecimentos a Deus.

Como testemunha do perdão, auxiliar da oração e efeito da misericórdia verdadeiramente ensinada, a cura é benção. E o mundo responde rapidamente em coro através da voz da oração. O perdão ilumina com seu alívio misericordioso cada folha da grama, cada asa feita de penas, e todas as coisas vivas sobre a terra. O medo não tem nenhum porto aqui, pois o amor veio com toda a sua unicidade santa. O tempo só permanece para deixar que o último abraço da oração descanse sobre a terra um instante mais à medida que o mundo desaparece na luz. Esse instante é a meta de todos os curadores verdadeiros, aqueles a quem o Cristo ensinou a ver a Sua semelhança e a ensinar como Ele.

Pensa no que significa ajudar o Cristo! O que pode ser mais santo do que isso? Deus agradece aos Seus curadores, pois Ele sabe que a Causa da cura é Ele mesmo, Seu Amor, Seu Filho, restaurado como Sua completeza, que está de volta para compartilhar com Ele a alegria santa da criação. Não peças uma cura parcial, nem aceites um ídolo em lugar da lembrança Daquele Cujo Amor nunca mudou e nunca mudará. Tu és tão precioso para Ele quanto toda a Sua criação, pois ela está em ti como Sua dádiva eterna. Que necessidade podes ter de sonhos mutantes em um mundo triste? Não esqueças da gratidão de Deus. Não esqueças da graça santa da oração. Não esqueças do perdão do Filho de Deus.

Tu primeiro perdoas, depois oras, e estás curado. A tua oração se ergueu e chamou por Deus, Que ouve e responde. Tu compreendeste que só perdoas a ti mesmo, e só oras por ti mesmo. E nessa compreensão estás curado. Na oração tu te uniste à tua Fonte, e compreendeste que nunca partiste. Esse nível não pode ser atingido até que não haja mais nenhum ódio no teu coração, e nenhum desejo de atacar o Filho de Deus.

Nunca esqueças disso: tu és o Filho de Deus e assim como escolhes ser para ele assim és para ti mesmo e Deus para ti. O teu julgamento também não falhará em chegar a Deus, pois darás a Ele o papel que vês na Sua criação. Não escolhas equivocadamente, ou pensarás que tu és o criador em Seu lugar e Ele, então, já não é mais Causa, apenas um efeito. Agora a cura é impossível, pois Ele é acusado pela tua decepção e pela tua culpa. Ele, que é Amor, passa ser a fonte do medo, pois só o medo pode ser agora justificado. A vingança é Sua. A morte é o Seu grande destruidor. E a doença, o sofrimento e a perda amarga passam a ser o que é devido a todos sobre a terra, aqueles a quem Ele abandonou aos cuidados do diabo, jurando que nunca mais os libertaria.

Vêm a Mim, Minhas crianças, mais uma vez, sem tais pensamentos distorcidos sobre os vossos corações. Ainda sois santos com a Santidade que vos deu a luz em impecabilidade perfeita, e ainda vos cerca com os braços da paz. Sonhai agora com a cura. Depois levantai-vos e deixai todos os sonhos de lado para sempre. Tu és aquele que o teu Pai ama, que nunca deixou a sua casa, nem vagou em um mundo selvagem com os pés sangrando e o coração pesado, endurecido contra o Amor que é a verdade em ti. Entrega todos os teus sonhos a Cristo e deixa-O ser o teu Guia para a cura, conduzindo-te em oração para além dos tristes alcances do mundo.

Ele vem por Mim e é a Minha Palavra que Ele te diz. Eu quero chamar o Meu Filho cansado de volta a Mim liberando-o dos sonhos feitos de malicia para o doce abraço do Amor eterno e da paz perfeita. Meus braços estão abertos para o Filho que amo, e que não compreende que ele está curado, e que as suas orações nunca deixaram de cantar a sua alegre gratidão em união com toda a criação, na santidade do Amor. Fica quieto um instante. Por baixo dos sons estridentes e amargos da batalha e da derrota existe uma Voz Que te fala de Mim. Ouve Isso por um instante e serás curado. Ouve Isso por um instante e terás sido salvo.

Ajuda-Me a despertar as Minhas crianças do sonho da punição e de uma vida pequena concebida com medo, que termina tão rápido que seria a mesma coisa se nunca tivesse existido. Em vez disso, deixa-Me lembrar-te da eternidade na qual a tua alegria cresce mais e mais à medida que o teu amor se estende junto com o Meu além do infinito, onde o tempo e a distância não têm significado. Enquanto esperas em sofrimento, a melodia do Céu está incompleta porque a tua canção é parte da harmonia eterna do amor. Sem ti a canção não é plena. Volta para Mim Que nunca deixei o Meu Filho. Ouve, Minha Criança, o teu Pai chama por ti. Não te recuses a ouvir o chamado do Amor. Não negues a Cristo o que Lhe é próprio. O Céu é aqui e o Céu é a tua casa.