Sintomas representam campos. Cada sintoma contém não apenas sua forma corporal mas também um campo circundante dos padrões de comportamento e das estratégias de (sobre)vivência correspondentes. No quadro de uma doença, uma certa quantidade de energia fluiu para uma estrutura rígida que está profundamente gravada no inconsciente sob a forma de padrão. Somente o aspecto formal chega a ser visível, tal como a ponta de um iceberg. Isso fica muito claro se tornamos como exemplo as manias. O problema aqui não são os sintomas corporais, que por subtração podem ser superados em poucos dias, mas o padrão, profundo e imune, do qual o dependente não pode livrar-se. Todas as terapias bem-intencionadas que não chegam a atingir o plano do padrão fundamental trazem poucos benefícios a longo prazo. É uma questão de tempo; em algum momento o padrão trará o afetado de volta a seu campo de atração. Justamente para os pacientes maníacos, é importante esclarecer que este padrão não pode ser modificado, que a única chance consiste em vivê-lo de outra forma.

O campo formativo alimenta-se do padrão profundo. Este pode ser comparado a uma moldura que admite diversas imagens que a ela se adaptam, mas de modo algum todas elas. A moldura estabelece o principio que pode expressar-se em seu campo. Em um determinado tipo de solo, por exemplo, podem desenvolvem-se várias plantas, mas não todas. Aspargos, pinheiros e palmeiras crescem em solos arenosos; já os abetos, não. Todas as plantas que medram no mesmo tipo de solo devem refletir o princípio que está em sua base, que na areia poderia ser o da moderação.

Contrair uma doença quer dizer o seguinte: uma temática fundamental como, por exemplo, um problema de agressão, estabelece a moldura no plano do padrão. Na superfície podem formar-se quadros aparentemente muito diferentes, talvez alergias, pressão alta, cálculos biliares ou a compulsão de roer as unhas. Com isso, entretanto, somente se descreve a superfície do plano corporal. No plano do comportamento há igualmente uma paleta de possibilidades nas quais o mesmo padrão pode expressar-se. Ataques de fúria freqüentes, uma relação enérgica com a própria impulsividade ou uma aproximação ofensiva de temas sombrios seriam algumas dessas possibilidades. Além disso, o padrão também pode assumir formas diferenciadas no plano do pensamento: fantasias sexuais agressivas oferecem uma possibilidade, mas também o pensamento radical pura e simplesmente, que por principio tem suas raízes voltadas para um âmbito escuro. No plano anímico, sentimentos de auto  agressão seriam uma variante, ou fantasias de auto flagelação e até depressões, mas também uma vida de emoções e sentimentos radicais.

Nos diferentes planos existem as mais diferentes possibilidades de representação, permanecendo todas elas entretanto dentro do quadro de possibilidades dadas de antemão pelo padrão básico. Somente uma investigação mais detalhada do padrão profundo permite especificar a temática. Caso, por exemplo, se tratem de agressões que se inflamam com os escuros temas “sujos" da vida, a escolha resume-se às alergias. Mas mesmo assim há ainda muitas possibilidades que se refletem no grande número e rico simbolismo dos alergênicos.

Nossa vida está impregnada de padrões que estabelecem as condições da moldura. Segundo a concepção esotérica, eles são trazidos a vida para serem vivenciados com o passar do tempo. O auto conhecimento é, em última análise, a conscientização do padrão, a auto-realização daquilo que ele supõe e libera. Conseqüentemente, o campo de trabalho do auto conhecimento vai desde os planos superficiais, o corpo e o comportamento, até o cerne do ser divino, o “si mesmo”[self]. Estar preso a padrões inconscientes veda o acesso ao verdadeiro ser.

O caminho percorrido em A Doença como Caminho começa na superfície e vai desde os sintomas corporais visíveis e perceptíveis até as estruturas anímicas profundas. A genética fornece outro meio de acesso ao padrão que é aceito de maneira geral. O código genético do DNA contém toda a informação sobre nós. Aqui estão não somente as condições da moldura corporal mas também as que estabelecem o comportamento. Em conseqüência, os padrões primordiais também devem poder ser encontrados aqui, embora a pesquisa ainda não tenha avançado tanto.

Segundo nosso ponto de vista a pergunta da medicina: "contraído ou herdado", é ociosa. O problema está nas alternativas aparentes que se revelam como ilusões a uma observação mais atenta. Tudo foi contraído alguma vez em algum momento e tudo está estabelecido no padrão . As alternativasdesaparecem quando observamos com algum distanciamento. Mesmo no estágio atual de conhecimentos da genética, muita coisa é estabelecida na concepção. Com esse acontecimento, fornece-se uma moldura bastante clara. Assim, em todos os casos, um ser humano surge da fertilização de um óvulo humano. Nesse momento, as possibilidades cão ou canguru não estão mais contidas na moldura preestabelecida. Ainda que de início não haja externamente qualquer diferença de um futuro cão ou canguru, no que se refere a isso os dados já foram lançados. O padrão está lá, e as possibilidades de vivenciá-lo são adquiridas ao longo da vida. Elas ocorrem regularmente com o tempo, dentro da moldura daquilo que está previsto...

 

Que mais médicos maravilhosos como este, possam orientar cada vez mais seus pacientes sobre os padrões, crenças inconscientes, que se encontram por trás de todas as doenças e assim medicina e terapias complementares possam juntas auxiliar o ser humano à sua volta à totalidade.

Cuide Bem de Você

Lena Rodriguez

www.cuidebemdevoce.com


Trecho do livro: A Doença como linguagem da Alma de Rüdger Dahlke, trabalha como médico e terapeuta no Heil-Kunde-Zentrum, fundado por ele e por sua mulher em Johanniskirchen, e dirige seminários sobre o significado da medicina, bem como dá cursos de jejum e meditação. Dowload do livro aqui