TRATAMENTO DA INSÔNIA – REMÉDIOS AUMENTAM NEGATIVIDADE, ANSIEDADE

 

Como é possível não ter insônia, no mínimo de vez em quando? O mundo sofre com cada vez mais ansiedade, mau humor, negatividade. Como se não bastassem os “noticiários” especializados em más notícias dos principais jornais, revistas, rádio e TV, as redes sociais da internet – que deveriam servir como um oásis onde encontramos bons amigos com conteúdo agradável – também ameaçam nos intoxicar com o compartilhamento (bombardeamento!) de notícias ruins, imagens inquietantes, indignantes e até trágicas. Problemas no trabalho, família e/ou finanças são praticamente universais. Cada vez mais pessoas não comem bem, não se exercitam adequadamente, possuem horários irregulares de sono e alimentação, não relaxam à noite (aliás, nunca relaxam nem baixam a guarda), e estão inundados de estimulantes do sistema nervoso central (cérebro), como cafeína (ex: café, refrigerante, chás estimulantes, adoçantes artificiais, glutamato monossódico, excesso de luz à noite). Tudo isso praticamente convida à insônia. Com o decorrer da vida, as pessoas vão sofrendo com cada vez mais insônia.

 

Ao invés de encarar a insônia como o sintoma que é, de uma disfunção do estilo de vida, a maioria de nós, e dos profissionais de saúde à nossa volta, vemos a insônia, na prática, como se fosse um estado de deficiência de remédio para insônia no organismo. Prova disso é que, como tratamento para insônia, recebemos basicamente receitas de remédios para dormir. Em momento algum procuramos explorar mais a fundo a verdadeira causa e cuidar do nosso estilo de vida. Achamos que implementar mudanças de estilo de vida seria muito difícil, impraticável até. Além disso, muitos de nós vivemos num estado de negação: “–Meu Estilo de vida já é muito bom e saudável.” Ou “–Tudo o que está acontecendo de ruim na minha vida não é culpa minha, mas sim ______!”, bastando preencher o espaço em branco com qualquer coisa: “do meu marido”, “do meu parente”, “do meu sócio”, “do governo”, “da crise mundial”, “do meu chefe”, “do meu trabalho”, “dos meus estudos” etc. Basta impor a culpa em qualquer outra coisa ou pessoa que não você mesmo, para se sentir isentado de qualquer responsabilidade sobre sua doença. “–Não sou culpado da minha insônia. Sou vítima dela.”

 

Ao se enganar encarando a insônia como “um castigo” vindo de fora, fica muito mais fácil e até lógico aceitar que o tratamento da insônia também só poderia vir de fora para dentro – e a intervenção mais rápida e conveniente – a melhor “arma para atacar a insônia” – é o remédio para dormir.

Conforme surgem novas drogas para o tratamento da insônia, vão mudando as tendências sobre quais seriam os mais indicados. Mas em geral, independentemente se certo ou errado, o que se vê mais comumente no dia-a-dia para o tratamento da insônia é o uso de zolpidem (nomes comerciais mais conhecidos no Brasil: Stilnox, Lioram – na dúvida, consulte a bula para conferir a composição) e benzodiazepínicos (diversos possíveis nomes comerciais, entre os quais Rivotril, Dormonid etc).

 

Porém, como nenhuma droga é capaz de tratar a causa da insônia, a maioria de quem começa a tomar esses remédios, ao perceber uma melhora significativa da qualidade do sono, artificialmente induzida pelo medicamento em questão, passa a depender cada vez mais do remédio, deixando ainda mais de lado qualquer esforço de mudança do estilo de vida que realmente causou essa insônia.

Com o passar do tempo, obviamente, o dano causado ao organismo pelo estilo de vida inadequado vai aumentando, e a insônia (que é sintoma) acaba retornando apesar do uso do remédio. Nesses casos, costuma-se tomar a decisão simplista de aumentar a dose do remédio para insônia, ou então muda-se de remédio – até que o sintoma ceda por mais um tempo e retorne mais uma vez, e assim por diante.

 

Remédios Para Insônia Podem Mudar Sua Personalidade

Pesquisas científicas demonstraram que os remédios mais comumente utilizados para o tratamento da insônia – tanto o Zolpidem quanto os benzodiazepínicos, vão causando um impacto negativo sobre nosso estado de espírito: aumentam a recordação e resposta a memórias emocionais negativas.

 

Pesquisadores da Universidade da Califórnia forneceram remédios para insônia (zolpidem e oxibato de sódio) para um grupo de pessoas sem insônia ou outros problemas de sono, deixando passar vários dias entre uma dose e outra, a fim de permitir que o organismo se livre completamente da droga entre uma tomada e a próxima. Antes de dormir e após acordar, sob supervisão dos pesquisadores, os participantes assistiam a uma sequência de imagens que despertam reações emocionais positivas e negativas, com duração de 1 segundo cada. Quando testadas, mais tarde, quanto à memória dessas imagens, as pessoas sob efeito dos remédios para insônia se recordaram significativamente mais das imagens com impacto negativo e indutor de ansiedade intensa, que das imagens com impacto emocional positivo.

Em outras palavras, os remédios para insônia mais utilizados, como os benzodiazepínicos, zolpidem e oxibato de sódio, aumentam a consolidação da memória para coisas negativas e/ou indutoras de ansiedade.

Você dorme melhor com o remédio para insônia, mas em compensação vai se tornando uma pessoa mais negativa, mais ansiosa e, com o passar de um tempo, toda essa negatividade e ansiedade, aliada a um estilo de vida que já não era saudável, tende a resultar em mais insônia, mais dependência de remédios para insônia, mais ansiedade, mais negatividade e assim por diante. Se não cuidarmos daquilo que vemos na mídia, noticiários e redes sociais, não faltarão imagens e notícias negativas para colocar lenha nessa fogueira.

 

A Causa da Insônia, assim como o Tratamento, é o Estilo de Vida

Conclusão: para o tratamento da insônia, primeiro identifique a causa, que se encontra quase sempre no seu estilo de vida. Você pode e deve buscar e identificar esse aspecto do seu estilo de vida que lhe causa insônia, juntamente com seu médico. Segundo, crie, juntamente com seu médico, uma estratégia para empenhar o seu máximo esforço pessoal para consertar esse aspecto do seu estilo de vida que lhe causa insônia. Às vezes não é tão óbvio: fatores presentes na alimentação, e no próprio sono, além de desequilíbrios hormonais e neuroquímicos advindos do estilo de vida, podem colaborar na causa da insônia. Essas modificações, devidamente implementadas, no seu estilo de vida, poderão ter resultados muito melhores sobre sua insônia, memória e emoções, que simplesmente engolir, passivamente, todas as noites, um remédio para dormir.

 

(18/12/2014 Por Dr. Alexandre Feldman)

Fonte

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“Além disso, muitos de nós vivemos num estado de negação”... Não é à toa que o Dr. Feldman é um dos meus médicos favoritos...

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