Entrevista com o Dr. Eduardo Almeida

Eduardo Almeida é graduado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF/1977); Professor Adjunto do Instituto Saúde da Comunidade da UFF; Mestre em Medicina Social (1988) e Doutor (PhD) em Saúde Coletiva pela UERJ (1996). Criou e dirigiu por 15 anos Unidade Docente de Posto de Saúde, voltada para a formação em medicina geral e comunitária. Coordenador do convênio Brasil-China de intercâmbio em Medicina Tradicional Chinesa (1992-1994). Adepto da medicina biológica praticada na Alemanha e nos EUA. É autor dos livros: "As Razões da Terapêutica - Racionalismo e Empirismo na Medicina (2002) e "O Elo Perdido da Medicina - O Afastamento da Noção de Vida e Natureza" (2007).
É com grande satisfação que publicamos esta entrevista com o Dr. Eduardo Almeida cuja poi contribuição para o nosso trabalho tem sido relevante, porque como evidenciam as respostas abaixo, afirma que "não existe uma só medicina, mas várias medicinas e sistemas médicos, uma vez que temos várias culturas e uma pluralidade imensa de pensamento na evolução da humanidade". Assim ele fala dos limites da doutrina médica oficial e indica possíveis caminhos já disponíveis para a superação.
1) Como o senhor tomou conhecimento da
medicina biológica alemã e o que o motivou a trabalhar nesta área?
R: Comecei como médico alopata clássico. Depois de algum tempo conclui sobre os
limites da alopatia e o seu grau de toxicidade. Percebi que o médico havia
perdido seus recursos terapêuticos e tornou-se completamente dependente da
indústria farmacêutica. O médico se preocupa basicamente com o diagnóstico e
deixa a terapêutica para a indústria farmacêutica. Como a terapêutica é a ação
médica que interessa ao cliente, pois esse último está interessado na sua
melhora e não em nomes de doenças, resolvi trilhar pelo caminho amplo da
terapêutica médica ao assumir que a alopatia não seria o único. Saí em busca de
todo o patrimônio terapêutico disponível. Contatei as medicinas anciãs como a
Chinesa e Ayurveda e cheguei até a medicina biológica alemã. Nessa linha
escrevi o livro: “As Razões da Terapêutica” – Empirismo e Racionalismo na
medicina” publicado em 2002.
2) O senhor é enfático q uando lhe
perguntam "qual é a sua especialidade" em responder: " trato de
gente, não de doença". Explique sua posição.
R: Doença não existe. Doença é uma abstração. A medicina oficial é uma medicina
centrada na doença, ou seja, o seu objeto é a doença. Um objeto de conhecimento
é construído pelo próprio conhecimento. A medicina oficial constrói a doença e
lhe dá vida (doença como entidade específica). Assim ela se relaciona com a
doença - sua criação (relação médico - doença) que é uma generalidade, pois ela
não tem instrumental para acessar ao indivíduo. Ora, o que existe e é real é o
indivíduo doente, portanto trato pessoas doentes e tento valorizar ao máximo os
aspectos da individualidade, pois não existem dois indivíduos iguais nesse
mundo.
3) Quais foram as causas do afastamento da
medicina da noção de vida e natureza? Onde teve início o elo perdido da
medicina?
R: Quando ela assumiu o reducionismo químico e incorporou na sua terapêutica o
uso exclusivo das substâncias químicas estranhas ao organismo (alopatia) na
segunda metade do séc. XIX.
4) Houve um tempo em que a medicina não era
considerada uma área das ciências, tanto que muitas das suas maiores
descobertas não foram feitas por médicos, mas por artistas, como Leonardo da
Vinci e Michelangelo. O senhor aborda a medicina como arte, assim como era no
passado, mas teve formação acadêmica voltada para a medicina enquanto ciência.
Como é praticar uma medicina não convencional vivendo num sistema convencional?
R: Não existe ciência que possa dar conta do ser humano. Um sistema vivo
extremamente complexo tanto em termos biológicos do corpo físico, quanto nos
seus demais corpos, sejam os sutis (bioelétrico, mental, vital, anímico) seja
em termos culturais (corpo social, corpo familiar). Que ciência dá conta de
tudo isso?? Somente a arte pode articular as várias instâncias do conhecimento
humano e colocá-los em termos de uma doutrina médica. O médico terá que buscar
esses conhecimentos nas várias ciências, mas também na tradição cultural, nas
religiões, nos poetas, nos artistas, etc.
5) É possível haver uma zona de
convergência entre as duas visões, ou elas são completamente divergentes?
R: Claro que é possível. Todo conhecimento deve ser colocado a serviço do
alívio do sofrimento humano e a alopatia é um instrumento importante. O
problema é o discurso hegemônico da alopatia e sua trajetória de perseguição e
caça às bruxas.
6) Com que princípios trabalha a medicina
biológica alemã? Qual a diferença da medicina biológica, natural e integral? É
tudo a mesma coisa?
R: A medicina biológica alemã nasce da dissidência médica quando a medicina cai
no reducionismo químico mecanicista. A MB dizia que o organismo humano não pode
ser reduzido aos processos químicos. Ele é um sistema biológico de alta
complexidade e que a medicina deveria dar suporte aos grandes processos
biológicos que acontecem no organismo, e que mantêm a vida. Não é por acaso que
os médicos biológicos de hoje chamam a sua medicina de medicina de suporte à
vida. A medicina biológica busca ser natural e integral. Tais nomenclaturas
tendem a acentuar determinado aspecto da prática.
7) O senhor fala dos malefícios da poluição
eletromagnética das antenas, das freqüências de FM, do microondas, do celular,
de todos os aparelhos wireless (sem fio), mas como não usá-los num mundo
tecnológico como o de hoje? E aqueles que trabalham com isso, como podem se
proteger de influências nocivas a sua saúde?
R: Não tenho solução de como evitá-los. O problema é que a medicina e a
biologia clássicas centradas na química dizem que as radiações não térmicas não
causam problemas, ou na melhor das hipóteses dizem que não existe nada provado.
Ora, o organismo vivo é um sistema completamente regulado por processos
eletromagnéticos. Como que a poluição eletromagnética não influencia esse
organismo?? Pesquisas revelam que 1 minuto de uso de telefone celular já é
capaz de afetar a barreira hematoencefálica, que é um mecanismo fundamental
para o funcionamento cerebral. Poderíamos reduzir o uso do telefone celular,
usá-lo apenas em emergências, mas o que estamos vendo é uma mudança radical
para o mundo wireless, e tudo que é wireless provoca poluição eletromagnética.
Como as pessoas não têm informação sobre isso, elas optam com tanta facilidade
para telefones sem fio, mouse e teclado sem fio, bluetooth, etc..
8) No Brasil não temos a cultura da
prevenção, mas sim a da emergência. Como disseminar os princípios de retorno à
natureza, ao não imediatismo da 'empurroterapia' das farmácias, para uma
população carente e ignorante de novos horizontes em relação a área de saúde?
R: Melhorar os níveis educacionais e de consciência das pessoas. Uma sociedade
sem informação é uma presa fácil para as farmacêuticas. Ainda achamos que
consumir remédios químicos é sinal de progresso social.
9) O senhor diz no livro "O Elo
Perdido da Medicina" que se não trabalhar com a causa do processo não há
cura. Explique melhor essa colocação.
R: A medicina não trabalha com a causa e sim com a conseqüência - a lesão. O
foco central da medicina é a lesão do órgão ou tecido, daí ela classifica a
lesão e dá um nome de doença. Mas, está implícito nesse pensamento que a lesão
é a sede e a causa da doença. Mais do que isso, a lesão é a própria doença.
Ora, quais foram os fatores responsáveis pelo aparecimento da lesão? Isso a
medicina oficial nunca pergunta. Se você não atua na causa como pode curar.
10) Por que o senhor considera as doenças
crônicas (obesidade, diabetes, hipertensão, câncer, arteriosclerose, artrose)
como doenças da civilização?
R: Essa é a classificação epidemiológica da OMS e seus países membros. As
doenças crônicas representam hoje 90% do adoecimento humano, e a medicina
oficial é completamente desequipada para abordá-la. É fácil compreender isso. A
medicina oficial é também chamada de medicina heróica salvadora de vida, pois a
sua grande habilidade está na abordagem do paciente lesional. Aqui ela está em
casa, ou melhor essa casa é o hospital, local de doentes lesionais. Os doentes
crônicos não estão em hospitais, estão vivendo suas vidas com uma série de
limitações. Dar remédio para controlar a pressão na hipertensão arterial seria
um pequeno aspecto do problema como se fosse a ponta do iceberg. Está se
atuando na periferia do processo. O que está acontecendo nesse organismo que
fez elevar a pressão arterial ?? Ninguém faz essa pergunta. Para mim
hipertensão arterial é quase sempre sobrecarga (os vários tipos de stress) do
organismo, que leva a desequilíbrios chamados catabólicos degenerativos. É o
processo catabólico degenerativo (dinâmica do metabolismo celular) que deve ser
abordado preferencialmente.
11) Foi na Alemanha, durante a Revolução
Industrial com suas grandes tinturarias e seus corantes, que a medicina
naturista se rendeu à química em detrimento da biologia ao identificar os
diversos germes pelo uso das cores. Não é curioso que nos séculos XX e XXI seja
exatamente na Alemanha que tem início a retomada de uma medicina biológica?
Como o senhor entende a origem de dois processos distintos partindo em épocas
diferentes exatamente no mesmo país?
R: Essa é a dialética que acontece em qualquer processo. A contradição do
reducionismo químico foi muito melhor percebida no seu berço do que num outro
país da periferia da dinâmica produtora daquele conhecimento agora hegemônico.
12) O senhor disserta sobre os malefícios
que a 'big farma' produz ao organismo e credita a causa de muitas doenças à
toxicidade produzida pelo uso abusivo e desnecessário de medicamentos por conta
do poder econômico e político que essa indústria exerce sobre a sociedade. Como
enxergar uma saída deste cenário? Onde as terapias complementares entrariam na
quebra deste circuito?
R: Eu devo simplesmente emitir os pontos de vistas de um estudioso do campo,
que busca ampliar os horizontes médicos. Cabe aos agentes sociais se
apropriarem dessas idéias e as viabilizar no pequeno ou no grande espaço
social. A medicina é um sistema cultural. A medicina oficial é a medicina
adequada para a sociedade materialista, consumista, egocêntrica,
antropocêntrica, imediatista e sem qualquer vínculo com a vida e a natureza.
Basta mudar o foco que o anacronismo surge logo. Por exemplo, ao invés do
principio antropocêntrico e cartesiano migrássemos para o princípio
biocêntrico, ficaria claro que a medicina oficial seria um retrocesso.
13) Como trouxe credibilidade ao seu
trabalho vivendo dentro de uma medicina oficial que pensa na doença e não na
vida? Fez palestras, cursos, enfim, como se deu a conhecer? Sofreu represálias?
R: Fiz uma carreira respeitável na medicina oficial e, assim, assumi
legitimidade para falar dos dois campos. O que frequentemente assistimos , é o
médico oficial emitir suas opiniões, quando está falando das medicinas
alternativas, sobre algo que nunca estudou, nunca viu ou teve experiência, ou
no mínimo parou para observar a prática. Simplesmente afirma que tal prática não
tem sustentação científica, como se a medicina fosse a guardiã da ciência. Nada
mais equivocado e preconceituoso. Exprime a ideologia cientificista tacanha de
um discurso que pretende estabelecer hegemonia entre sistemas culturais.
14) O que é um organismo em equilíbrio e
saudável?
R: A OMS diz que saúde é o perfeito bem estar físico, mental e social. É uma
definição absolutamente abstrata e não operacional, portanto muito criticada.
Prefiro admitir o ser humano como um sistema complexo em processo permanente de
interação, onde saúde seria a capacidade desse sistema interagir e produzir
respostas integradoras. A saúde seria um processo dinâmico. Você pode estar
saudável agora e acontecer um grande trauma na sua vida e você não ter
condições de processá-lo e adoecer. Aqui a doença deve ser vista como a melhor
resposta que seu organismo foi capaz de elaborar e a abordagem médica deve
considerar esse fato básico e não achar que uma vez dado o nome da doença está
resolvido o problema.
15) Acredita no poder da autocura?
R: Claro que eu acredito. Todo médico deve ter a humildade e se reverenciar
diante do organismo humano. Se ele assim o fizer saberá que quem cura é o
organismo e a natureza. Mark Twain com perspicácia já havia percebido isso
quando disse: “Deus cura e o médico manda a conta”.
Fonte
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Lena Rodriguez
Cuide Bem de Você!
Em: Florais On Line
Tags: terapia floral hipertensão arterial stress doenças doentes









“O poder da borboleta é oriundo do ar. É a mente e a capacidade de conhecê-la e muda-la. É a arte da transformação.
Acredito em tratamentos não agressivos e que vá na causa real do problema que se apresenta... Juntamente com processos de despertar, especialmente o dar-se conta de que somos 100% responsáveis por tudo a nossa volta, em nosso mundo. Algo precioso que aprendi foi a auto aceitação. Aceitar-se não quer dizer que precisamos carregar em nossa bagagem mais culpas, mas sim que – estamos assim - porém, temos escolhas.
A partir do auto cuidado e vivência tive por ideal de vida ser um elo de auxílio para que outros pudessem sentir o mesmo bem estar físico, mental, emocional e espiritual, resumindo um estar de bem com a vida - paz interior. Paz que conseguimos ao libertar nossa mente de programas e registros subconscientes.
Sou grata à existência, a tudo que pude ter acesso para “descobrir” o EU que realmente sou e a todos que confiaram e confiam em meu trabalho. Gratidão!







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