A única decisão viável...

:: Por Lena Rodriguez ::



Decisão não é algo fácil, pois requer uma ação para impulsionar a rendição daquela parte em nós cansada de sofrer, não como um ato de fraqueza, mas de força!

Força, sim! Porque a medida em que nos entregamos ao Espírito que nos anima e que Sabe em nós, começamos por sentir vislumbres de leveza... Por vezes, nem chegamos a ver a solução do que nos afligia, mas somos banhados por uma paz interna que vai nos alimentando de confiança, Fé!

Medo - é sinônimo do ego... Amor - emana do espírito...
Qualquer evento que nos tire da paz é um sinal de alerta para retornarmos à nossa decisão... Quando não nos encontramos na paz, na alegria, estamos sintonizados em nosso ego, permitindo que ele tenha o comando sobre nossa vida.

Somente o ego vê problemas como insolúveis... Arrepender-nos por algo cometido só nos gera culpa e a culpa só reforça o erro ao invés de ser desfeito... É esse círculo vicioso que nos mantém preso ao sofrimento.

“... Seguir a orientação do Espírito Santo é se deixar absolver da culpa.”
(UCEM- pg.72)

Estar acordado, desperto e presentemente no agora, exige decisão... Compreender este soneto de Shakeaspeare é sair da escuridão do ego e poder ver a Luz que somos.

"Qual verdade, qual luz irrompe através da janela da minha mente?

Ela é o leste e o Espírito Santo é o sol.

Levante-te, meu amigo, dissolve a lua do ego

que já está doente e pálido de pesar

porque tu, a verdade, és muito maior que ele.


Oh, Ele é a Criança Crística, sim. Ele é o meu Amor

e, se soubesse O Que eu sou, o brilho da minha mente

iria envergonhar as estrelas, assim como a luz do dia faz a sua lamparina.

Minha Mente no Céu iria, através das regiões não vistas, jorrar

de modo tão brilhante

que o mundo iria cantar e não conheceria a noite."


Essa decisão nos pede firmeza e que permaneçamos cientes de que o processo de desfazer não vem de nós, porém apesar de tudo está dentro de nós.

“Tu não podes cancelar sozinho os teus erros passados. Eles não desaparecerão da tua mente sem a Expiação, um remédio que não foi feito por ti.”
(UCEM-pg.87)

Diz-nos ainda, que nossa parte é simplesmente fazer voltar o nosso pensamento ao ponto no qual o erro foi feito e entregá-lo à Expiação > ato de desfazer. Pede-nos ainda que digamos a nós mesmos da maneira mais sincera possível e que nos lembremos que o Espírito Santo, o Cristo Interno ou Eu Superior ou como cada um possa conceber essa força, irá responder plenamente à nossa mais leve invocação à Decisão a favor de Deus:

“Devo ter decidido errado, porque não estou em paz.

Tomei a decisão por mim mesmo, mas posso também decidir de outra forma.

Quero decidir de outra forma, porque quero estar em paz.

Não me sinto culpado porque o Espírito Santo vai desfazer todas as conseqüências da minha decisão errada se eu Lhe permitir.

Escolho permitir-Lhe, deixando que Ele decida a favor de Deus por mim.”
(UCEM-pag. 95)

Render à vontade d’Ele, lembrando-nos em todos os momentos, especialmente naqueles em que nos desviamos de nossa decisão e o ego irrompe com julgamentos, sendo o perdão o tema central. Pois, são nossas próprias projeções que vemos a todo instante:

“Contempla a grande projeção, mas olha-a com a decisão de que ela tem que ser curada e não com medo. Nada do que fizeste tem qualquer poder sobre ti, a não ser que ainda queiras estar à parte do seu Criador e com uma vontade oposta à Sua.” (UCEM-pg.504)

E assim escolhemos outra vez... O Curso nos ensina o perdão por aquilo que não fizemos, perdoando ao outro por aquilo que ele não fez. Não há culpas, nem culpados, apenas a crença na separação...

“A projeção faz a percepção”... Nós olhamos antes para dentro, decidimos o tipo de mundo que querermos ver e então projetamos esse mundo lá fora, fazendo dele a verdade tal como a vemos.

"Não podes ver seus pecados sem ver os teus. Mas podes libertá-lo e a tu mesmo também". (Oração do Perdão-pg.22)

Tudo isso nós precisamos aprender a perdoar, não porque estamos sendo “bons” e “caridosos”, mas porque o que estamos vendo não é verdadeiro.

A percepção não é conhecimento. A percepção não é causa, é resultado. Resulta da projeção dos pensamentos e desejos do ego. Logo, a percepção em primeira instância busca no exterior testemunhas do estado interior. Se o estado interior é de medo ela mostrará um caminho com obstáculos cada vez maiores até se tornarem intransponíveis, aí então talvez desistamos, e retornemos a um lugar que o ego julga seguro.

Nós fazemos com que ele seja verdadeiro através de nossas interpretações, do que pensamos que estamos vendo. Se estamos usando a percepção para justificar nossos próprios erros — nossa raiva, nossos impulsos para atacar, nossa falta de amor em todas as formas que possa se manifestar — veremos um mundo de maldade, destruição, malícia, inveja e desespero, etc..

Nós distorcemos o mundo pelas nossas defesas tortuosas e estamos consequentemente vendo o que não existe. À medida que aprendemos a reconhecer nossos erros de percepção, também aprendemos a olhar para o que está além ou “perdoá-los”.

Ao mesmo tempo, estamos perdoando a nós mesmos, olhando para o que está além de nossos autoconceitos distorcidos.

Porém, a percepção pode ser colocada a serviço do EU, Mente Supraconsciente ou Espírito Santo e no lugar de obstáculos assustadores nos sentiremos cada vez mais com o coração em paz. Nessa jornada nunca estamos sós, jamais somos abandonados e tudo que precisamos é nos disponibilizarmos cada vez mais, para que o EU tenha a permissão para nos ajudar.

À todos desejo somente, a Sua Paz!